Na Noite com John Digweed




Recentemente, fui visitar um amigo argentino, que chamarei de Martín. Foram duas semanas conhecendo as terras dos hermanos. Confesso que fui sem nenhum roteiro preparado - pouco pesquisei sobre a Argentina, então não tinha nenhum passeio em mente, até porque meu foco era visitar Martín, uma vez que já conhecia a capital Buenos Aires.


Desde quando nos conhecemos, Martín sempre se mostrou apaixonado pela música eletrônica e me jurava que poucas vidas noturnas se comparavam à vida noturna na capital argentina. Como boa paulista que sou, duvidei - São Paulo tem uma das melhores vidas noturnas do mundo, jurei.

Assim que confirmei minha visita, Martín me avisou que faria questão de mostrar um pouco do seu universo, o que incluía uma noitada em uma balada eletrônica. Achei que seria divertido, até porque achava que conhecia um pouco de música eletrônica.

Ledo engano.

Assim que cheguei em território argentino, fui bombardeada com músicas eletrônicas tanto por Martín como por seus amigos e, claramente, eu não conhecia nenhuma. Na verdade, sequer achava graça naquelas músicas ao ponto de conseguir dormir enquanto viajávamos de carro mesmo com o volume no máximo.

Nos dias anteriores a noitada que Martín me prometera, realmente acreditei que morreria de tédio na primeira hora de música, mas não podia simplesmente dizer que não iria. Martín já tinha comprado os ingressos e estava louco para que chegasse o final de semana.

Então chegou.

24.07.2016

O local? Crobar. Uma casa noturna localizada próxima ao Hipódromo Argentino. A casa é simpática. Tem um ar bem descontraído e só vi caras gatos pessoas bonitas. Tem duas pistas de danças e duas zonas de banheiros (o que é muito bom, diga-se de passagem, já que não precisei esperar na fila em nenhuma das vezes que usei).

A entrada é paga e não deve ser das casas mais baratas, isso incluindo consumação lá dentro. Não tenho como fazer uma comparação de preço pois não cheguei a comprar nada e naquela noite em especial o DJ principal é considerado uma lenda - tanto que as pessoas pagam muito e pagariam muito mais para ouvi-lo tocar.

De quem estou falando?

John Digweed.

Não, não o conhecia antes, então chamá-lo de lenda não faz parte do meu costume. Essas palavras vieram da boca de Martín - e dava para perceber o quanto o pessoal que estava no Crobar naquela noite curtia esse DJ.

John Digweed, como já disse, é um DJ britânico, nascido em 1967. Ele começou a tocar aos quinze anos e, atualmente, é conhecido por tocar progressive house, que é um subgênero de house music. Para quem curte música eletrônica, talvez faça mais sentido. Para mim? Não fazia a menor diferença. Música eletrônica para mim era quase que tudo a mesma coisa. Não mais. Martín me mataria se lesse isso.

Confesso que em um primeiro momento, fiquei com um pouco de pé atrás com a ideia de balada eletrônica, mas Martín tinha razão quando a esse DJ. John Digweed conseguiu me conquistar nas primeiras músicas. Tive a sensação de ter música dentro de mim durante toda a noite - como se eu começasse a escutar esse estilo musical de uma forma diferente.


Martín disse que o show foi excepcional. Que, em geral, John toca algo mais calmo, mais progressivo, seja lá o que isso significa - mais voltada para as pessoas viajarem ao som da música. Dessa vez, ele tocou mais arriba, explodindo a energia de geral.

Sempre achei que ninguém dançava de verdade nesse tipo de balada, mas eu entendi exatamente porque a movimentação do corpo é completamente de uma balada sertaneja ou funk, por exemplo. A vibração é outra - cada detalhe da música guia as partes do seu corpo.

É inexplicável como a linha melódica é capaz de guiar não apenas seu corpo, mas também suas sensações e suas vontades. Para exemplificar, a música, mais de uma vez, me deu vontade de, confesso, beijar - e era só olhar para o lado que eu via geral com vontades parecidas.

A batida também alterava o toque. Até uma mão no ombro parecida diferente. É uma sensação única. Impossível descrever com palavras. Escritas ou faladas. Até porque diversas coisas que senti são pessoais e não tenho nem coragem de tentar descrevê-las. A única forma de entender é estar lá - de olhos fechados e mente aberta.

Ao que parece, John Digweed não costuma tocar em casas noturnas; prefere tocar em grandes eventos. De qualquer forma, atualmente ele está em turnê e vários shows estão marcados em diversos festivais. Vale a pena conferir aqui.

Para quem quiser conhecer um pouco, segue uma playlist:



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